
Por trás de "MOTHER"
Jul 2026

MOTHER começou com uma imagem muito específica: um manequim grávido. Antes de pensar na loja ou no estilo visual, o que me interessou foi essa contradição — um corpo de plástico, criado para ser visto, carregando uma imagem de maternidade. Um manequim não tem biologia, nem desejo, nem história pessoal, mas no momento em que o vemos grávido, imediatamente projetamos nele ideias de vida, espera, cuidado e feminilidade.
O núcleo emocional do curta surge quando algo como um instinto de cuidar começa a despertar nela. Quando ela se aproxima do manequim infantil e coloca um pequeno chapéu nele, está tentando realizar um gesto materno, delicado, humano. Mas nesse mesmo momento, ela também descobre sua própria limitação: sua anatomia rígida, imperfeita, artificial não foi feita para cuidar — foi feita para posar. O que deveria ser um gesto terno torna-se desajeitado e trágico. Para mim, essa tensão define o filme: uma figura construída para representar a maternidade, mas incapaz de verdadeiramente habitá-la.

Eu não queria fazer um filme de terror. Estava mais interessado em criar um drama psicológico silencioso e estranho, contado quase inteiramente do ponto de vista do manequim. Por isso o filme tem muito pouco diálogo. Ela não consegue explicar o que está acontecendo com ela; tudo teve que ser construído através de pequenos gestos, pausas, rigidez e a maneira como ela olha ou toca as coisas. A emoção tinha que aparecer como uma pequena rachadura dentro de um objeto.
A antiga loja de departamentos se tornou o espaço perfeito para esta história: um mundo de vitrines, roupas, luzes, reflexos e desejo do consumidor, onde tudo é projetado para ser exibido. Mesmo à noite, as luzes permanecem acesas. Nada está verdadeiramente escondido. O manequim existe dentro dessa exposição permanente: ela foi feita para ser vista, não para sentir.

Para mim, a inteligência artificial foi apenas uma ferramenta dentro de um processo que estava muito próximo de uma produção cinematográfica tradicional. Primeiro veio a ideia, depois os personagens, o roteiro, o storyboard, a direção de cada cena, a montagem, o som e a cor. Flick foi essencial para manter esse processo organizado. Trabalhei inteiramente dentro do Flick, usando o canvas infinito para gerar, comparar e organizar imagens, construir a história cena por cena e decidir quais takes tinham a coerência emocional e narrativa mais forte.

Também foi extremamente valioso trabalhar com diferentes motores dentro do mesmo ambiente. Para vídeo, usei principalmente Seedance 2.0 e Gemini OmniFlash; para imagens, usei principalmente GPT Image 2, porque me dava uma textura que parecia próxima do tipo de cinema que eu queria fazer. Depois disso, tudo passou por um extenso processo de edição no DaVinci Resolve, onde trabalhei no ritmo, continuidade, cor e atmosfera.
Sinto-me muito afortunado por ser o primeiro cineasta a criar o primeiro filme Flick Originals. Para mim, MOTHER representa o tipo de cinema que pode surgir quando a tecnologia é colocada a serviço de uma ideia clara. Além da IA, o que sustenta o curta é a mesma coisa que sustenta qualquer filme: uma imagem inicial poderosa, uma intenção emocional precisa e muitas decisões criativas feitas com cuidado.

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